3 anos ou 3 décadas? A cegueira exponencial e o ChatGPT

por Thiago Pandolfo

Ontem - 30/11/2025, o ChatGPT completou exatos 3 anos de vida.

Se você sente que novembro de 2022 foi há uma década, não se preocupe: você não está louco. Você está apenas experimentando a vertigem do crescimento exponencial.

Para entender o impacto desse efeito, precisamos voltar um pouco no tempo e recordar a adoção de outras tecnologias que mudaram a nossa vida:

Quando a eletricidade comercial surgiu no final do séc. XIX, demorou 46 anos para estar presente em 25% dos lares americanos. Era preciso construir infraestrutura e, principalmente, convencer as pessoas de que aquilo era seguro (soa familiar?).

No caso da internet adoção foi bem mais rápida. A web demorou cerca de 7 anos para atingir a mesma marca nos anos 90.

Já o Chatgpt  atingiu absurdos 100 milhões de usuários em apenas 2 meses.

Apesar dessa velocidade, muitos líderes ainda subestimam o impacto. Por quê? Porque nosso cérebro evoluiu para pensar de forma linear, e temos dificuldade biológica em compreender a curva exponencial. Isso ocorre porque praticamente tudo que nos cerca na natureza cresce e se desenvolve de forma linear e, apesar de Gordon Moore ter previsto o crescimento exponencial da tecnologia em 1975,  entender o gráfico é muito diferente de "sentir" o gráfico.

Em 2017, participei de um projeto bancário onde a premissa era não construir uma interface web. O motivo? Os acessos via Internet Banking estavam caindo, enquanto os via App subiam vertiginosamente. O custo para desenvolver a plataforma web já não se justificava.

Lembro que a discussão foi acirrada. Muitos decisores estavam pautados pela "fotografia do presente" (onde o internet banking ainda era relevante) e ignoravam as projeções futuras. 

Hoje, segundo a Febraban, 75% das transações bancárias de pessoas físicas no Brasil já é feita via mobile. Quem apostou contra a tendência, ficou com um ativo obsoleto na mão. Por sorte na época conseguimos convencer a alta direção de que não fazia sentido o investimento.

Empresas AI-first que nasceram nestes últimos 3 anos já operam em um nível de eficiência que concorrentes tradicionais mal conseguem acompanhar.

Mas cuidado com a armadilha da velocidade: Há uma grande diferença entre decidir usar IA para resolver um problema ou tentar resolver um problema utilizando IA

Quando você coloca a ferramenta à frente do problema, há um risco de você estar apenas agindo por modismo e não tratando uma dor real. Agora, se você analisa uma ineficiência e não pensa "como a IA pode ajudar aqui?", você provavelmente já está atrasado.

A pergunta estratégica para 2026 não é "devo usar IA?". Isso é equivalente a perguntar em 1920 se "devo usar eletricidade?".

A pergunta real é: Como meu modelo de negócio sobrevive em um mundo onde a inteligência cognitiva se tornou uma commodity instantânea?

#Inovação #ChatGPT #Estratégia #FuturoDosNegócios #InteligênciaArtificial

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